sexta-feira, 11 de abril de 2014

Reglete Positiva: novo instrumento que facilita a escrita em braille


Antes para escrita em braille tínhamos que registrar cada letra do alfabeto de trás para frente, para assim virarmos a folha e fazer a leitura do relevo. Agora com a reglete positiva, pode diminuir cerca de 60% de tempo aprendizado, pois, o alfabeto de leitura e escrita fica do mesmo lado (não teremos que decorar dois alfabetos e sim um).

 Trabalhei em escolas públicas que na lista de chamada sempre existiam um, dois ou três nomes de alunos com deficiência visual como desistentes.  Nestas mesmas escolas sempre sondei para saber se alguém sabia braille, não sabiam e não tinham instrumentos...
Ausência de materiais em braille e falta de qualificação dos profissionais, certamente são alguns indicadores de desistência. 

Entrevistei Aline Otalara, que idealizou o projeto para saber um pouco como foi esse processo de conseguir apoio para a pesquisa.

Mariana - O projeto contou com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP.  Como foi o processo para conseguir o apoio?

Aline - Sim Mariana, contamos com o apoio da FAPESP via Programa PIPE. O processo para conseguir esse apoio é bem descrito no site da FAPESP, certamente melhor do que eu poderei descrever, mas em síntese, são enviados para essa Fundação alguns formulários que são baixados do próprio site da FAPESP e um projeto de pesquisa e desenvolvimento. Esse projeto e o restante da documentação exigida é analisada pelos consultores da FAPESP e algumas das vezes também por comissões internas da Fundação. Esses consultores emitem um parecer com diferentes quesitos onde pontuam o que há de bom no projeto e nas informações contidas nos formulários e, se for o caso, apontam necessidade de modificações. No nosso caso os processos de análise levaram de 6 a 9 meses para serem avaliados, mas todos foram aprovados. Um detalhe importante é que a empresa e seus fornecedores devem ter toda documentação em ordem e sem nenhuma pendência relativa as suas obrigações tributárias e trabalhistas. A FAPESP avalia entre outras coisas também a capacidade técnica da equipe de pesquisadores, o orçamento, a inovação daquele tipo de produto a ser desenvolvido tanto do ponto de vista comercial quanto social e também os mecanismos usados pela empresa para proteção da propriedade intelectual dessa inovação.

 M - A empresa TECE está  patenteando a Reglete Positiva?
A - Sim, a TECE entrou com o pedido de patente da Reglete Positiva, o que já atende, em parte, ao que comentei sobre a empresa ter que contar com uma política de proteção da propriedade intelectual daquilo que desenvolve para atender aos requisitos exigidos pela FAPESP.


M - Como foi o contato dos estudantes com deficiência visual em relação à nova Reglete?

A - Tivemos contato com muitos estudantes com deficiência visual durante os 6 anos de pesquisa e desenvolvimento da Reglete Positiva e todos se mostraram muito animados com a novidade. Recebemos sempre e-mail de pessoas com deficiência visual, professores e alunos de Pedagogia nos agradecendo por termos criado esse material, o que para nós compensa toda a dedicação e esforço para produzir a Reglete Positiva.

M - A Reglete Positiva está disponível nas lojas especializadas em todo Brasil?

A - Sim, a Reglete Positiva pode ser encontrada em todo Brasil não somente em lojas especializadas, mas também em papelarias, por exemplo. Também temos revendedores, empresas e pessoas físicas nos Estados de São Paulo, Pernambuco, Pará, Distrito Federal, Paraná e Rondônia. Além disso, qualquer um pode comprar conosco por meio do site da empresa (www.tece.com.br), por e-mail (vendas@tece.com.br) ou telefone (16) 3357-7840. Estamos cadastrando novos revendedores sejam elas pessoas físicas ou jurídicas. O lucro líquido mensal médio dos representantes gira em torno de R$2.500,00 a R$ 7.000,00 dependendo apenas do nicho de mercado e empenho de cada um.

A TECE também exporta seus produtos, incluindo a Reglete Positiva, que é nosso carro chefe, para Portugal e Espanha.